terça-feira, 23 de dezembro de 2008
Felicitacao
Infelizmente o ano de 2008 não foi muito produtivo para o blog, por causa dos desafios profissionais que em grande medida tomaram-me integralmente o tempo. Espero sinceramente que para o ano consiga encontrar as melhores plataformas de conciliacão das duas vertentes e voltar a proactividade bloguista.
Contudo, quero aproveitar este ímpar ensejo de reencontro para enderecar-vos os meus sinceros votos de que tenham festas felizes e um 2009 coroado de exitos.
Até Sempre.
Khanimanbo
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
SATISFACÃO
Infelizmente por razões alheias a minha vontade não tenho podido ser um bloguista regular e proactivo. Enfim, lamento pelo facto, mas só poderei fazer a retoma assim que superar as questões prementes e compromissos nos quais me encontro envolvido.
Saudacões calorosas!
segunda-feira, 17 de março de 2008
ESTILOS DE VIDA E A OCUPAÇÃO DOS TEMPOS LIVRES DOS JOVENS
Para a melhor percepção das principais variáveis do tema em epígrafe, é primordial introduzir-vos a definição e articulação interna de e entre os seus conceitos centrais, donde se realçam os de: Jovem, Estilos de Vida e Ocupação dos Tempos Livres.
De acordo com a EDIJ[1], entenda-se por Jovem a todo o indivíduo moçambicano do grupo etário dos 15 aos 35 anos de idade. Este conceito está intrinsecamente ligado às condições objectivas do ambiente e do contexto histórico, sociopolítico e económico do país;
Por Estilos de Vida, entenda-se a toda a amálgama de valores que se traduzem nas diferentes maneiras de agir, pensar, fazer, estar e ser decorrentes de condicionamentos socioculturais e económicos e;
A Ocupação dos Tempos Livres, no caso vertente, deve ser visualizada como sendo as diferentes formas e mecanismos que os jovens empregam para preencherem activa e proactivamente, ou no sentido contrário, os momentos em que não desenvolvem as suas principais ocupações formais quer sejam de âmbito profissional, formativo e etc.
Decorrente da articulação interna e lógica entre as anteriores asserções, subjaz a tese condutora desta reflexão, segundo a qual, o estilo de vida de cada jovem é o factor determinante e decisivo para a escolha e opção dos hábitos e actividades que o devem ocupar nos tempos livres.
Embora os mecanismos de ocupação dos tempos livres dos jovens denotem apresentar uma lógica multifacetada e complexa de comportamentos, estes não estão imunes e desinteressados dos seus contextos socioculturais específicos. Pois, apontam sempre para o facto de sofrerem um forte condicionamento dos estilos de vida a que cada jovem está socioculturalmente moldado e conformado.
O que move e dá racionalidade e plausibilidade a preocupação e indagação relativas as razões de ser das formas e mecanismos de ocupação dos tempos livres dos jovens com enfoque nos valores socioculturais que os imbuem e enformam.
O esclarecimento hermenêutico do impacto dos estilos de vida para a ocupação dos tempos livres dos jovens é uma premissa sine qua non para a melhor compreensão sobre como estimular e promover as boas práticas, os hábitos de vida saudáveis e construtivos na camada juvenil, na perspectiva de se fazer o seu necessário e correcto acompanhamento, sabido que a juventude constituí indubitavelmente a força motriz do desenvolvimento social e, portanto, alicerce das sociedades porvindouras.
A leitura e análise da tipologia e lógica de relação que se estabelece entre os estilos de vida e a ocupação dos tempos livres dos jovens permite, por um lado, fazer o diagnóstico dos tipos de ocupações, hábitos, actividades, costumes praticados e desenvolvidos pelos jovens na sua sociabilidade e, por via disso, se aferir de que maneira tais modus vivendi condicionam o seu desenvolvimento psicossocial. Por outro, uma vez diagnosticadas e inventariadas as formas de ocupação dos tempos livres dos jovens, torna-se factível a sua reorientação e acompanhamento no sentido de perseguirem uma filosofia e modelo de vida que se paute pela promoção e desenvolvimento de hábitos de vida saudáveis e sustentáveis.
O conhecimento da lógica que norteia a ocupação dos tempos livres dos jovens deve ser um desiderato que resulte de uma abordagem sinérgica e sistémica entre todas as entidades governamentais e não, com ênfase, respectivamente, para o ministério de tutela, sociedade civil e associações juvenis, que na sua primeira linha de orientação de trabalho se debatem titanicamente pelo repto do desenvolvimento harmonioso da personalidade dos jovens.
Nesta esteira, a Estratégia de Desenvolvimento Integral da Juventude concebida e em implementação pelo ministério tutelar, apregoa num dos seus eixos temáticos centrais, a promoção da realização de estudos com o intuito de avaliar a situação da Juventude no país para a melhor caracterização dos problemas dos jovens.
Movidos por esta assumpção e cometimento, os pelouros governativos da Juventude, Saúde, Educação e Cultura, Ciência e Tecnologia, a Sociedade Civil e as Agremiações Juvenis poderão desenvolver, por exemplo, numa plataforma intersectorial e visão multidisciplinar um trabalho investigativo visando fazer o diagnóstico e a promoção de hábitos de vida saudáveis; Nesta senda, são focalizáveis tópicos fulcrais como: a sexualidade, educação sexual, a nutrição equilibrada, a prática do desporto, actividades lúdicas, culturais, recreativas, turísticas e de lazer, as tecnologias de informação e comunicação o exercício físico regular, o combate ao alcoolismo, tabagismo, droga e outras toxicodependências, prostituição e etc.
Enfim, todos estes pressupostos e premissas advogam e argumentam a pertinência e imperatividade do estudo da ocupação dos tempos livres dos jovens com vista a concepção de estratégias e políticas comprometidas com o Desenvolvimento Integral e Harmonioso da Juventude.
Com efeito, as inquietações e perguntas paradigmáticas arroláveis para a operacionalizacão desta indagacão seriam, por exemplo: Demonstrar quão quantitativa e qualitativamente os estilos de vida são preponderantes e determinantes para a forma como os jovens ocupam os seus tempos livres; Discriminar e analisar o tipo de relação que se estabelece entre os estilos de vida e a ocupação dos tempos livres dos jovens; Identificar os mecanismos costumeiros e recorrentes de ocupação dos tempos livres adoptados pelos jovens na sua quotidianidade e etc.
A percepção lógica e causal do impacto dos estilos de vida fundamentada na forma como é orientada a ocupação dos tempos livres dos jovens é um exercício que deve ter eficazmente presente o contexto sociocultural e espácio-temporal em que é constatável determinada forma de ocupação do tempo livre de dado agrupamento social representativo.
Quer na sociedade primitiva quer na moderna, os comportamentos dos actores sociais não se apresentam como caóticos nem essencialmente do acaso, mas seguramente, espelham e reflectem o mosaico de valores socioculturais sui generis por si apropriados através dos agentes de socialização.
Até na situação mais diminuta da acção individual que persegue interesses próprios e singulares, está sempre imanente no seu âmago a consciência colectiva e a exterioridade, na medida em que, o actor social orienta a sua acção tendo como sustentáculo as significações e valores sociais que a mesma comporta e com base nesta premissa sabe identificar e destrinçar o socialmente aceitável do não aceitável conseguindo deste modo a sua conformidade social.
Portanto, a percepção da ocupação dos tempos livres dos jovens centrada na leitura axiológica dos estilos de vida dos mesmos, apesar de ser sempre prismática, é categoricamente um ângulo de abordagem nevrálgico para a concepção de uma verdadeira Estratégia de Desenvolvimento Integral da Juventude, que vise, acima de tudo, a consecução de um desenvolvimento sã e harmonioso da personalidade do jovem. O móbil deste posicionamento assenta na questão de que jovem do amanhã deve estar preparado para o desafio da vida sabendo orientar e encaminhar a sua vida numa visão prospectiva e holística buscando a racionalização e optimização das suas oportunidades do presente. Neste desafio, todas as forças, vectores sociais e agentes de socialização são responsáveis pelo processo da inculcação e transmissão de valores socialmente conformados visando a educação formal e informal do verdadeiro Homem do amanhã.
[1] Estratégia de Desenvolvimento Integral da Juventude, documento aprovado pelo Conselho de Ministros através da resolução nº4/96 de 20 de Março de 2007.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
POR UMA INDAGAÇÃO DO FENÓMENO DO ENCURTAMENTO DE ROTAS PELOS "CHAPA CEM"
O fenómeno do encurtamento de rotas é uma prática comum adoptada pelos principais protagonistas dos “chapa cem”, falo objectivamente dos seus motoristas e cobradores. Este fenómeno constitui-se actualmente num dos pontos inequívocos mais estridentes e nevrálgicos do debate público corrente relativamente à prestação destes serviços de transportes urbanos e interurbanos. Aliás, se se recordam, esta foi uma das questões de fundo aludida de forma vincada e vertical pela esmagadora parte de populares e citadinos maputenses como constante do seu caderno reivindicativo na sequência dos acontecimentos do 05 de Fevereiro último.
O encurtamento de rotas perpetrado pelos profissionais de “chapa cem”, consiste no desvio e interrupção deliberada e voluntária do trajecto ou rota normal de transporte pelos seus praticantes. Refira-se que as rotas de transportes urbanos já se encontram oficial e formalmente estabelecidas pelos órgãos tutelares deste sector adstritos aos Municípios, cuja atribuição é feita de forma criteriosa por estes a todas entidades singulares e colectivas que reunirem os requisitos necessários para operaram nesta área de transporte público. Cada veiculo licenciado para operar nesta área é portador de uma vinheta e toda a documentação inerente para o efeito; É basicamente esta a marca identitária que nos elucida e adverte da rota a que cada meio de transporte pertence e, a partir, desta orientamos as nossas opções de transporte com vista a consecução das necessidades e objectivos do nosso quotidiano sócio-profissional. A atribuição e aceitação da rota pelo operador de transporte são as principais premissas da assumpção por este de deter as capacidades e condições primárias para desencadear normalmente a actividade.
Consubstanciando melhor o meu raciocínio, o fenómeno do encurtamento de rotas significaria na vida prática, por exemplo, um munícipe que pretendesse se deslocar da Baixa da Cidade de Maputo para o Bairro de Magoanine, tomar um “chapa cem” precisamente desta rota segundo a indicação da sua vinheta, mas que os seus principais protagonistas (o motorista e o cobrador) resolvessem conscientemente transportar os passageiros até à Praça dos Combatentes no vulgo Bairro do Xiquelene. Dali a opção destes transportadores tanto poderia ser a de descarregar os passageiros para retornar à procedência, como também, uma vez efectuada a cobrança aos passageiros continuarem com o trajecto normal até ao seu ponto terminal.
Até aqui, detive-me a apresentar o substrato descritivo do modus operandi deste mecanismo de transporte público por entender ser de capital relevância o pressuposto da clarificação sobre como se processa o fenómeno do encurtamento de rotas. É conceptualmente importante que uniformizemos o nosso entendimento em torno desta prática, mesmo porque este procedimento ajuda a quem o desconhece absolutamente ou , pelo menos, a quem já se deparou com relatos na comunicação social ou com populares, mas que nunca teve nenhuma experiência de vida em que este se observasse.
A questão central desta reflexão, é remeter-vos para a leitura atenta e rigorosa de qual a dimensão real que a prática proliferada e persistente deste fenómeno representa para as centenas e centenas de populares e citadinos maputenses que recorrem a este serviço de transporte público como meio básico para a realização e concretização das suas deslocações diárias para às escolas, postos de trabalho, zonas de habitação, unidades sanitárias, zona comercial, de entretenimento e de lazer e etc.
Em conversa informal com um utente deste serviço público, este não desperdiçou o ensejo para vociferar o seu infortúnio dado ao facto de ter actualmente a necessidade diária de fazer ligações de “chapa cem” por causa do encurtamento de rotas incorrendo, deste modo, a uma duplicação de esforço financeiro; Enfatizou ter um encargo financeiro de transporte diário de Oitenta mil meticais decorrente das suas deslocações para o posto de trabalho e de seus dois filhos para as suas respectivas escolas, contra os anteriores sessenta mil meticais a serem suportados numa situação de observância e respeito do trajecto normal da sua rota de transporte.
Enquanto citadino maputense e utente deste serviço público, observo com interesse no meu dia-a-dia situações concretas de infringimento desta postura municipal relativa à área dos transportes públicos. Testemunho, amiúde, depoimentos espontâneos e voluntários de populares e munícipes desgastados lamuriando por uma mão invisível ou solução mágica para esta inquestionável patologia social protagonizada pelos operadores de “chapa cem”.
O fenómeno do encurtamento de rotas assume actualmente proporcões de um verdadeiro dilema social avaliando, a partir, dos efeitos perversos que acarreta na vida social dos munícipes que desembocam no encarecimento profundo e desenfreado do custo de vida dos mesmos. Para corroborar o meu pensamento, sustento-me de alguns depoimentos de citadinos que retratam o cenário de forma crassa e desesperada asseverando claramente que tudo o que fazem, ganham e produzem da sua labuta é para custear as despesas decorrentes dos transportes públicos.
Aliás, sem pretender fazer nenhuma incitação à demagogias eleitoralistas, mas para efeitos de marketing e campanha eleitoral, devo referir, que o tópico encurtamento de rotas é um ponto elegível para constar do cardápio do manifesto eleitoral dos futuros candidatos a autarcas; Façam fé que se se propuserem a estancar e exterminar este mal social terão neste um mecanismo eficaz de aliciamento para granjearem a simpatia de uma maioria significativa de eleitores desafortunados que vivem na pele, coração e mente a nocividade diária deste fenómeno.
Portanto, por estas razões manifestas e outras latentes, fica de forma indubitável decifrado o diagnóstico de que de facto esta prática onera e fustiga sobremaneira a vida dos munícipes. Esta constatação suscita-me duas outras inquietações: De um lado, a questão da aferição causal das principais razões e factores que explicam o enveredamento pelos operadores de “chapa cem” por esta incorrecta aplicação da postura municipal atinente ao sector dos transportes públicos urbanos; De outro, a da busca de caminhos consentâneos para encontrar uma plataforma comum e aglutinadora dos interesses de todas as partes implicadas neste dilema social para que o mesmo seja debelado e ultrapassado.
No que concerne a primeira questão, foi possível discernir alguns elementos úteis e pertinentes para a melhor percepção das motivações que levam os motoristas e os cobradores de “chapa cem” a se pautarem por esta prática, com base na averiguação dos depoimentos e relatos de populares. Igualmente, importa ressaltar, nestes serviços de transportes públicos, o status adquirido pela figura do cobrador, que é o de detentor de maior “capital simbólico” influenciando e dominando em grande medida as relações de poder entre este e o motorista, dado que possuí a prerrogativa de poder determinar se se opta ou não pela observância do trajecto normal da rota e, relativamente aos utentes, é o actor que dá a cara e lida directamente com os passageiros, perpetrando cenas de confrontação, desrespeito e afronta cívico-moral para com os mesmos; Os cobradores agindo em conluio com os seus pares motoristas, conseguiram forjar no seio dos passageiros uma reputação de todos poderosos, de violentos, marginais e agressivos; Uma figura metaforicamente endeusada pelos munícipes, a si se deve venerar, adorar, sujeitar, aturar e etc.
De acordo com as minhas conjecturas fundamentadas na análise minuciosa e criteriosa dos relatos populares e de citadinos maputenses, os potenciais factores que movem a estes operadores a encetarem esta prática podem ser: A tão aspirada e augurada receita do dia estabelecida pelos proprietários das viaturas; Aliado ao anterior factor, temos o que tem a ver com o oportunismo e ganância do motorista e do cobrador de também desejarem fazer a sua receita para fins meramente pessoais; A possível inoperância e ineficácia das entidades de fiscalização e supervisão dos meios de transportes públicos urbanos tutelados pelos órgãos municipais e pela própria associação dos transportadores; A possível ineficiência autoridades policiais de ordem e segurança públicas que trabalham na área da regulação do trânsito rodoviário urbano; Aliás, recorrendo ao conteúdo das “acusações mutuas” entre os “chapistas” e os utentes, estes últimos foram categóricos em imputar a responsabilidade por este fenómeno aos próprios órgãos e autoridades com atribuições e competências para salvaguardarem o bom exercício da actividade dos transportes públicos. Segundo os utentes, as autoridades municipais e os agentes policiais saem a ganhar com estes desmandos dos “chapa cem”, na medida em que como forma de os ilibarem recebem destes subornos em valores monetários; O último factor que é extremamente decisivo para a prática do encurtamento de rotas é a indiscutível indiferença e passividade que tipifica os utentes devido ao seu fraco poder de negociação e de escolha que os sujeita à condição de meros espectadores e injustiçados por esta gente, sem nada poderem fazer para contrariar este ciclo vicioso de desregramento e inobservância das rotas de transportes legalmente estabelecidas.
Subjacente à precedente inquietação, ocorre-me uma segunda, que se prende com a busca de propostas e sugestões de caminhos a seguir com vista à solução deste fenómeno que se assume como um autêntico dilema social.
Com este propósito, compulsando as motivações que estão na origem deste virulento incumprimento da postura municipal aprovada e vigente, vislumbro uma frente de trabalho a ser conduzida em três principais eixos:
1) O eixo institucional, aqui é preciso que os órgãos competentes fortifiquem a sua actuação em termos de capacidades humanas e materiais, que se faça a necessária disseminação do quadro normativo e legal que rege as posturas municipais correctas para que o mesmo seja obrigatoriamente cumprido; Que haja uma maior responsabilização das autoridades municipais e agentes policiais nas condutas que tomam no seu exercício laboral e, que sobretudo, lhes sejam pedagogicamente difundidas as boas práticas das relações públicas em prol de um serviço público mais prestativo, são e harmonioso; Que se reforcem os aparatos humanos e materiais de fiscalização e supervisão do cumprimento das leis;
2) Na segunda vertente, há um trabalho de educação cívica e de sensibilização tendo como alvo os protagonistas deste serviço público no sentido de começarem a adoptar uma conduta correcta e com civismo respeitando as formas de se estar e ser elementares em qualquer sociedade que se preze, tendo sempre patente o conceito de serviço público; Encontrar mecanismos para abortar a relação dicotómica entre os utentes e os “chapistas” e, destes com as autoridades e órgãos desta jurisdição; Neste prisma, é crucial o papel a ser desencadeado pela Sociedade Civil e pelos proprietários destes meios de transportes; E,
3) No último eixo, centrado nos utentes enquanto parte integrante da Sociedade Civil, estes devem ter a preocupação de aprimorarem os seus mecanismos de participação política na vida do Município; Devem ser conhecedores dos seus direitos e obrigações para que sejam cada vez mais conscientes, interventivos, participativos e proactivos; Devem se pautar por uma cultura de informação e deterem consigo o princípio de denúncia popular e às autoridades de tutela e da sensibilização cívica dos infractores e prevaricadores dos direitos e obrigações civis e municipais; Devem melhorar os seus mecanismos de relacionamento e de diálogo com as autoridades e instituições públicas e concidadãos primando sempre pela busca de soluções mais salutares e harmoniosas para o bem-estar da colectividade.
Enfim, tenho para mim que a inquirição de qualquer questão que seja é sempre um exercício de interpelação aos visados que nos ajuda a perceber, explicar e clarificar melhor os fenómenos e, acima de tudo, chama atenção e responsabiliza aos principais intervenientes e implicados no assunto para que ajam em tempo útil. Neste contexto, estou convicto de ter podido deixar a minha singela leitura.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
MANIFESTAÇÃO POPULAR EM MAPUTO
Os citadinos maputentes estão agastados e desesperados com a elevação persistente do custo de vida na Capital moçambicana. Em menos de duas semanas contadas desde o início da 2ª quinzena de Janeiro registou-se o agravamento sucessivo dos preços do pão, combustíveis e recentemente da tarifa dos transportes públicos urbanos. Com efeito, uma parte representativa de populares decidiu encetar barricadas nas principais vias e rotas de circulação destes meios de transportes para manifestar a sua revolta contra esta decisão do agravamento da tarifa dos transportes públicos, gerada através de uma negociação e concertação entre o sector governativo de tutela e os operadores de transportes públicos. Refira-se que a nova tarifa de transporte semi-colectivos entrou hoje (05 de Fevereiro de 2008) em vigor. Por um lado, estabelece o preço de 7,50 MT contra os anteriores 5,00MT por passageiro a uma distância inferior ou igual a 5km; Por outro, o preço de 10,00 MT contra os anteriores 7,50 MT por passageiro a uma distância superior a 9km. Igualmente foi agravada a tarifa dos Transportes Públicos de Maputo passando de 4,50 MT para 5,00MT por passageiro.
É preciso realçar que os transportes semi-colectivos constituem o principal e indispensável meio de transporte da esmagadora maioria dos citadinos maputenses independemente do seu status social, cultural e económico.
Enfim, era previsível esta reacção avaliando a partir dos relatos populares que se vão testemunhando por ali e acolá, que em uníssono descortinam o repúdio e descontentamento categórico dos citadinos por esta tendência desenfreada de subida geral dos preços que dilacera e encarrece vertiginosamente a vida dos munícipes.
Fica o registo desta ocorrência e aguardemos para que em tempo útil e real possamos radiografar os contornos desta manifestação popular de forma mais circunstanciada e minuciosa.
Neste contexto, vai o apelo cívico e patriótico para que não se enverede pela vitimização de vidas humanas e vandalização de infra-estruturas socioeconómicas.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
FELICITAÇÃO
O Socioblogosferando o Quotidiano quer com maior apreço e carinho endereçar ao seu eleitorado, os seus sinceros votos de que tenham uma divina época natalícia e um próspero 2008.
FESTAS FELIZES!
quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
A SINGULARIDADE DO SABER SOCIOLÓGICO
Aplicando um aforismo linguístico, a Sociologia é peremptoriamente uma ciência social que se debruça ao estudo da realidade social, da sociedade e etc como quiserem; Sobre este aspecto reina um consenso geral de todos os interessados por este saber independemente do prisma ou paradigma por que se opta para fazer a leitura dos fenómenos; Quer empregando uma lente de um paradigma positivista cujo fundamento se alicerça na formulação de leis para medir e prever os fenómenos; Quer sob uma lente de um paradigma de explicação essencialmente compreensivo e interpretativo que apregoa como eixo da sua fundamentação a hitoricidade dos fenómenos sociais e o seu carácter qualitativo. Todos os ângulos de abordagem conservam em comum o elemento sociológico da realidade social.
Esta é a minha principal e irrecusável premissa argumentativa para esta brevissíma ladainha que procura acima de tudo fazer o diálogo sobre a desmistificação da singularidade do Saber Sociológico.
Enquanto a esmagadora maioria das Ciências Sociais e Exactas se pauta por uma autoconstituição científica com a preocupação central de fazer, formular e produzir teorias, postulados, axiomas e etc com uma aplicabilidade universal. Por exemplo, uma destas áreas de saber pode atrever-se a postular categoricamente que todo o ser humano que tiver cabelos loiros é de raça branca e desta maneira pretender convencer-nos da factibilidade desta acepção em qualquer contexto antroposociológico. Enfim, remeto isto para a reflexão de cada um e nós.
A Sociologia é por excelência uma ciência insolente, irrequieta e inconformada. Não se contenta por tudo e nada. Procede abruptamente numa lógica contrária da precedente. Ela busca a sua autoafirmação cientifica desfazendo, esmiuçando e expurgando cosmovisões, constelações de ideias, pré-conceitos, obsessões, formas e valores de estar, ser e agir. Quer dizer, contrariamente às anteriores ciências que se fazem construindo lógicas, esta envereda pelo desfazer e descontruir das mesmas. É esta mesmo por incrível e trivial que pareça a vocação da Sociologia, ela desbrava e conjectura incansavelmente acerca de tudo que se nos dá por certo, absoluto e inquestionável. Mais do que isso, ela relativiza e conhece as especificidades antroposociológicas do seu objecto de estudo. Dai que, na situação anterior se pautaria por levantar a questão da racionalidade do postulado em torno dos cabelos loiros para elucidar a precariedade ou razoabilidade de tal asserção. A Sociologia rege-se pelo princípio da desconfiança construtiva interrogando-se sempre e sempre por tudo e nada. Onde as outras ciências encontram uma certeza ela decifra um objecto de estudo e de análise. E é precisamente esta a sua inconfundível virtude.
Baseados na explanação precedente é possível apreender e visualizar o carácter singular do Saber Sociológico enquanto uma área científica que se funda primariamente no questionamento e indagação permanente e criteriosa do infalível e inquebrantável. Aqui e sim, se encontra a génese de qualquer que seja problema sociológico.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
UM EXEMPLO PARADIGMÁTICO DE CIDADANIA
Esta é sim e de facto a postura que um munícipe que se preze como tal deve assumir. A cultura de uma cidadania proactiva e participativa na vida diária da sua comunidade de residência e a consequente perda do mau feitio de sempre e sempre reclamar e apontar o dedo em riste ao edil e a sua máquina por tudo e nada. Conforme veicula um comunicado do jornal Notícias, um grupo de empresários que comporta proprietários de pequenas, médias e grandes empresas do Bairro da Malhangalene arregaçou as mangas e resolveu assumir uma conduta interventiva criando mecanismos capazes de flexibilizar as solicitações feitas pelos empresários às respectivas estruturas centrais, para as quais individualmente têm sido de difícil solução, bem como, buscando resolver pequenos e sérios problemas que apoquentam a esta zona residencial nomeadamente: os problemas de saneamento, poluição sonora, entre outras questões prementes.
A concretizar-se esta iniciativa, fê-lo muito bem e exemplarmente este grupo de empresários. É de louvar esta forma de abordar o desenvolvimento sócio-económico das urbes alicerçada no exercicio activo e decisivo da cidadania. Acima de tudo, deve servir de exemplo de modelo de se estar e ser em cidades a ser replicado e adoptado por todos os munícipes que aspirem habitar em cidades com um ambiente são, saudável e harmonioso.
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
MAIS UMA!
O Presidente da República não se fez esperar e operou mais uma movimentação na sua máquina governativa. Uma vez mais e em menos de 1 ano (de Fevereiro último a esta parte) toca no sector da Agricultura nomeando para ministro Soares Nhaca até então Vice-Ministro do Trabalho e, por conseguinte, exonera o respectivo ministro Isaías Muhate indigitado para o cargo em Fevereiro do ano corrente na sequência da exoneração do seu antecessor Tomás Mandlante. Ora este ciclo de movimentações tendentes a cirúrgicas e em pouco tempo transparecem claramente a preocupação e aflição de S.E.xcia o PR com o desempenho deste sector, é no minímo essa a nossa expectativa. Lamentavelmente as razões e motivações destas operações por imperativos éticos, morais e de segredo de estado não são do domínio público. Vamos vendo e assistindo impavidamente às mudanças de timoneiros deste por aquele passando-se de um ritmo para outro. Contudo, a grande questão fica sempre em aberto, terão estas operações tido em conta as expectativas e anseios do povo moçambicano que é por excelência camponês? Qual é o factor primordial que estará no âmago destas mudanças de ministros deste por aquele e daquele por outro? Serão os maus resultados apresentados pelo sector? Ou um problema de fraca liderança e pura incompetência? Ou ainda descaradamente uma questão de gerência de clubes de amizades e clientelismos? Enfim, é como podem aferir um cenário sombrio que sujeita-nos a uma dubiedade e especulações na busca de compreensão sobre o porque destas operações sui generis no sector da Agricultura que aliás assim feitas representariam um sugestivo objecto de estudo para as Ciências Sociais. Na minha óptica as decisões desta natureza por S.E.xcia o PR devem estar fundamentadas e argumentadas por um apurado e minucioso diagnóstico sobre a situação geral do sector agrícola e, sobretudo, reflectir o sentimento e a vontade geral do camponês face a actual conjuntura da Agricultura. Desta forma, estaria meritoriamente de parabéns o PR na medida em que se revelaria um líder atento e meticuloso acompanhando rigorosamente o desempenho da sua máquina governativa tendo como telos a satisfação das preocupacões básicas e prementes deste povo essencialmente camponês.
Faço votos de um bom trabalho ao novo timoneiro! Que sejam os principais eixos e directivas da sua acção governativa: O incremento da capacidade produtiva do País através da mecanização gradual e sustentada do sistema agrícola; A auto-suficiência alimentar das famílias complementada por uma concepção apurada e gradativa de um sector agrícola vocacionado para a área comercial e por fim; A modelação e concepção de um sistema agricola produtivo com uma filosofia consentânea para as nossas especificidades agro-ecológicas, geográficas, económicas, demográficas e etc.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
ALUSÃO À II CIMEIRA UE/ÁFRICA
Foi consumada satisfatoriamente a tão almejada II Cimeira UE/África em Lisboa entre 07 e 09 de Dezembro do ano em curso. Um evento caracterizado em geral pelos exuberantes sinais de ostentação e apoteose material e financeira cujos expoentes máximos foram as caravanas e caravanas de automóveis luxuosos, hóteis de sonhos, jantares e manjares de refinadissímo requinte visual, olfactivo e de paladar, etc. Enfim, mesmo a corroborar a destreza e vocação perdulária das nossas elites políticas e governativas que de forma impudica, insultuosa e pueril despendem milhares e milhares de valores pecuniários que bem serviriam para planos e acções concretas de desenvolvimento, ajuda sócio-humanitária de gente drasticamente carenciada que comporta a morfologia social dos povos africanos. Imaginem quanto dinheiro deve ter sido esbanjado por este clube de amigos, comadres e compadres, afilhados e padrinhos estadistas? Neste reencontro entre patrícios e plebeus ou ainda entre patrões e empregados? Foi uma cimeira tipificada por um excepcional nível de exibicionismo material e financeiro tendo como principais protagonistas os líderes africanos e europeus.
A midia internacional qualificou a efeméride como tendo sido histórica na medida em que marcou uma nova era de cooperação bi-continental entre a África e a Europa em todas as esferas cruciais das acções de desenvolvimento sócio-económico. Foi extraordinário perceber como o paradigma da Igualdade e o principio do Respeito Mútuo dominaram a condução das sessões de trabalho deste evento o que pressagia um elevado sentido de cometimento no aprimoramento e consolidação das relações bilaterais e multilaterias entre os continentes.
Igualmente encorajou-nos a ênfase que foi dada aos tópicos da Boa Governação e os Direitos Humanos. Ficou, de igual modo, registada a capacidade que os coordenadores e hospedeiros da cimeira demonstraram ao conseguirem evitar que o evento não fosse polarizado por agendas específicas de um e de outro país mas, pelo contrário, primando com determinação e compromisso pela focalização de questões macro e globais que estão na ordem do dia do quadro das relações sócio-económicas entre estes.
O nosso augúrio final é que tudo quanto foi passado à letra: os acordos, protocolos e a declaração firmados neste evento sejam de facto traduzidos em acções concretas quer em planos quer em projectos visíveis de desenvolvimento social, político, cultural e económico de parte a parte baseados nos principios de autodeterminção sócio-económica, justiça social e uma cada vez maior e melhor redistribuição das riquezas humanas e naturais.
Assim sim, creiam as nossas lideranças que vão poder sem dúvidas justificar as ajudas de custos- "per diems" de condes e nobres que esbanjaram em Lisboa e nós também deste lado de tanto satisfeitos professaremos a nossa sábia cultura de silêncio, mas antes, "Surg et ambula África" e muito trabalho.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
PERIPÉCIAS DA PROMULGAÇÃO DE UMA LEI
O executivo moçambicano acabou de dar um passo notável na sua acção governativa contribuindo substancialmente para a nossa autodeterminação enquanto Estado de Direito. É que o Conselho de Ministros promulgou a vigência a partir do último 1 de Dezembro da lei que interdita o consumo de tabaco e seus derivados em locais públicos. Contudo, este acto parece suscitar algumas polémicas no seio da esfera pública, há correntes prós e contra a sua aplicação. Na verdade a leitura da aprovação e implementação desta legislação está em grande medida condicionada pela natureza de cada grupo de interesse, como advoga o adágio popular " Cada um puxa a sardinha para a sua brasa". Ainda assim, os interesses particulares não se sobrepõem aos nacionais, estes são soberanos, supremos e inalienáveis.
Temos, por um lado, o público em geral comportando a dita Sociedade Civil-Cidadãos, mas acima de tudo, a fatia mais grossa da densidade populacional, a estes há em comum o interesse de terem os seus legítimos direitos à saúde e ambiente sãos preservados cuja vontade geral mais saliente é a de minorarem os efeitos do tabagismo passivo a que estão sujeitos os não fumadores sempre que se encontram em locais públicos;
De outro, se encontra a classe de gente que faz a vida e o ganha pão do dia-a-dia com a venda de cigarros e seus derivados, para estes a temática primordial é verem assegurado o seu principal mecanismo de geração de rendimento, insurgem-se pelo facto desta legislação repelir os seus potenciais clientes e etc.
Enfim, colocando a problematização desta questão nestes termos percebe-se que não faltam argumentos sustentáveis a qualquer uma das correntes. Quanto a mim, patrocinar esta discussão não é um exercício útil nem oportuno. É preciso e sim, que averiguemos as razões que estão na origem desta dicotomia de posicionamentos e aí poderemos evitar que no futuro entremos num imbróglio idêntico. Fazendo essa caminhada sinto uma vez mais que o legislador, o executivo, a comunicação social e etc, pecaram por não massificar o debate público sobre esta legislação. Aliás, esta conduta dos principais protagonistas e precursores do processo decisório da coisa pública já assume contornos de uma patologia moral e ética, sempre que se passa a vigência de um código normativo e legal nota-se que o grupo alvo manifesta um clarividente défice de informação. Os cidadãos e população em geral não é preparada fisica, psicológica e socialmente sobre as decisões tomadas. Isto é deveras bastante sintomático, nefasto e não deve continuar assim. Teria sido, mais viável aos implicados directos e indirectos desta lei se fosse do seu conhecimento prévio e profundo. O proprietário de um restaurante saberia como configurar e racionalizar o seu espaço no sentido de poder em simultâneo receber e servir clientes fumadores e não fumadores sem incorrer a perda quer destes quer daqueles clientes. É como depreendem uma prática ética, civíca e culta muito simples e menos onerosa, informar, auscultar e discutir com as pessoas. Assim se vive num genuíno Estado de Direito! Por agora, rearrumem a casa e no futuro haja sabedoria e indulgência da vossa parte para que estas peripécias não se observem.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
PSEUDO-CIDADANIA? OU CIDADANIA PASSIVA E ALIENADA?
Etimologicamente o conceito de Cidadania é intrínseco e emana da noção de cidadão derivada da palavra civita, que em latim significa cidade, e que tem seu correlato grego na palavra politikos - aquele que habita na cidade. A palavra cidadania foi usada na Roma antiga para indicar a situação política de uma pessoa e os direitos que essa pessoa tinha ou podia exercer; no sentido ateniense do termo, cidadania é o direito da pessoa em participar das decisões nos destinos da Cidade através da Ekklesia (reunião dos chamados de dentro para fora) na Ágora (praça pública, onde se deliberava sobre assuntos de acordo comum).
Hoje e indubitavelmente o sentido de cidadania quer local quer global como quiserem assume uma preponderância nevrálgica no processo da consolidação e cristalização dos valores da democracia. O exercício da cidadania é de forma inequívoca um passo sine qua non para a manutenção e apetrachamento da ordem social, cultural, politíco e económica em que assenta a democratização das sociedades.
Os condimentos mais salientes da identidade do cidadão traduzem-se na auto-consciência das suas obrigações e direitos; Na sua capacidade de participar politicamente no processo decisório da gestão da coisa pública e na esfera pública; Na liberdade de poder exprimir-se, associar-se, formular exigências e critícas sobre a actividade governativa e de gestão da coisa pública.
Ora esta maneira de explanar o conceito de cidadania parece eximir e exonerar o cidadão das suas intransmissíveis e legítimas responsabilidades revestindo-o de um papel passivo e inactivo. Todavia, no actual contexto sociocultural e politico-económico exige-se do cidadão que não delegue as suas responsabilidades, não deixe parte de si para outrém. Este deve construir-se material e simbolicamente contando consigo próprio e para si próprio. O que equivale a advogar categoricamente a tese de que nos dias que correm é impensável o exercício da cidadania sem que seja de forma proactiva e participativa.
A cidadania é uma benesse inalienável da génese das cidades que garante a emancipação sócio-política do cidadão, pois de outra maneira o habitante das cidades estaria fatalmente condenado à passividade na decisão e definição sobre as modalidades e critérios de gestão da coisa pública. Com a cultura da cidadania o cidadão exerce plenamente as suas liberdades tornando-se esta num dos mecanismos mais eficazes e inclusivos de distribuição do poder e dos valores da democrácia.
Paradoxalmente a esta precedente visão, a minha advertência é feita para o facto de que ao meu ver o exercício da cidadania no formato ideal aludido estar a conhecer uma aplicação fortuita e precária no contexto do processo da democratização da nossa "nação".
Ainda que as principais cidades do País sejam esmagadoramente habitadas por gente com um nível de instrução, formação e com um "capital cultural" e de urbanidade bastante aceitável sente-se contra todas as nossas expectativas que o seu exercicio de cidadania é muito ténue e tímido o que vaticina a ocorrência de uma Pseudo-Cidadania ou no minímo de uma Cidadania Passiva. Dirão os mais optimistas como eu que este é um fenómeno natural e tipíco das democracias nascentes e em desenvolvimento. Mas, é demasiado pueril e injustificado que algum pretenso cidadão se autorize a ir fazendo e desfazendo sob tal protexto. Façamos um exame introspectivo e profundo à nossa consciência de cidadania, é mesmo; Não duvidem é um convite escancarado e bruto para a auto-responsabilização pelo nosso estar e ser enquanto cidadãos. A minha leitura é a de que a maior quota de responsabilidade desta precariedade e timidez da cultura de cidadania recaí inequivocamente sobre nós mesmos. Deixem-me arrolar algumas dentre várias situações flagrantes em que nos furtamos do nobre exercício da cidadania para a melhor visualização e consubstanciação do meu posicionamento: 1. Quando compramos um produto com o prazo expirado num supermercado e simplesmente não denunciamos a ocorrência as devidas instâncias administrativas e judiciais ou porque de livre iniciativa sonegamos esta ocorrência a quem de direito para amealharmos ganhos e vantagens pessoais através de chantagens aos vendedores ou fornecedores; 2. Quantas vezes assistimos impavidamente as parteiras maltratando as senhoras em época gestacional com o livro de reclamações e sugestões espectado na parede a alimentar os répteis e insectos, etc sem descurar o próprio direito a audiência com a entidade máxima do sector; 3. Vezes sem conta nos fazemos transportar num vulgo "chapa 100" de 15 lugares conscientes da sua supra-superlotação; 4. Assistimos com indiferença de minuto a minuto a condução perigosa e desregrada dos transportadores semi-colectivos e de autocarros públicos e nada fazemos; 4. Quando é que não deixamos de produzir lixo em nossos lares e lançamos desordeiramente em plena via pública a luz do dia; 5. Fazemos e fomentamos o fecalismo sem tréguas e debaixo do sol sem discriminação do local em que estivermos; 6. As autoridades de ordem e segurança públicas fazem-nos cobranças ilícitas de segundo a segundo procurando em nós a todo custo aspectos de infracção de normas e leis e simplesmente não denunciamos; 7.Quantas vezes temos a oportunidade de sancionar o nosso mau representante e delegado no poder e continuamos passivamente a perpertuar a sua vinculação improdutiva ao poder; 8. Quem nunca subornou o professor com valores monetários ou bens em troca de uma passagem de classe ou de vaga para matrícula; 9. Quantas vezes organizamos churrascos nos nossos prédios em pleno dia útil provocando barulho ao som da música estrondoso e insuportável pela noite dentro; 10. Quantas vezes nos eximimos de participar nos eventos recreativos, culturais, desportivos e sociais referentes ao nosso bairro de moradia, não fazemos parte das comissões de moradores dos nossos prédios, não nos envolvemos nas jornadas de trabalho a estes referentes; etc e etc. Enfim, são infinitos os sinais de condutas infractoras por nós cultivadas que desabonam decisivamente a nossa consciência de cidadania.
Não obstante, haver também um leque de responsabilidades a serem providas e asseguradas por quem de direito a medida do desenvolvimento institucional das cidades onde se realça a criação de condições materiais e imateriais para que o exercício da cidadania não encontre empecilhos e seja de facto efectivo e aqui os governos locais também devem assumir o seu papel condicionando todo o substracto de infra e super estruturas necessárias para que os direitos e os deveres dos cidadãos conheçam o seu devido cumprimento.
A questão central do meu raciocinio inicial e principal é alertar-vos para a necessidade de resgatarmos a nossa consciência de cidadania e com ela conduzirmos o nosso quotidiano social aprimorando desta forma os valores da democracia.
Cada um de nós deve esforçar-se por cultivar a cidadania como forma de apropriação pública da coisa pública tendo o sentido de ser dono da mesma. Este exercício passa necessariamente por sermos cada vez mais verdadeiros cidadãos autoconscientes dos nossos direitos (civis, sociais e politícos) e deveres, criticos, interventivos, participativos e proactivos na gestão da coisa pública. Primando sempre pela atitude de que sendo activo na resolução dos problemas da minha cidade estou melhorando e engrandecendo as condições de vida da minha própria família sem excepção de mim mesmo.
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
PARTO NA UEM!
A mais antiga e maior Universidade de que o País se pode orgulhar, vai hoje a consumar a mais uma época gestacional de formandos graduando cerca de 10 centenas de estudantes desde o nivel de Bacharelato ao Mestrado abrangendo as áreas das ciências exactas, sociais entre outras. Parabéns UEM pelo assinalável trabalho que tem vindo a fazer. Aos graduados se lhes coloca o desafio de se fazerem valer colocando os seus saberes em prol do Desenvolvimento Social, Económico e Cultural da nossa pérola do Índico.
Parabéns!
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
COSTA DO SOL!
O Costa do Sol voltou mais uma vez a legitimar e corroborar a teoria costumeira que advoga o seu excelente momento de forma e de melhor clube desta época futebolística. Amealhou arrebatando com convencimento aos locomotivas de Nampula o troféu da Taça de Moçambique por três bolas sem resposta o que valeu ao clube 15 mil dólares. A hegemonia dos canarinhos não se confinou por aqui, bem ainda, viram o seu jogador (Tó) a ser laureado com o prémio de melhor jogador da competição o que se lhe valeu um majestoso automóvel.
Os locomotivas também foram meritórios finalistas da competição o que se lhes valeu um presente pecuniário de 10 mil dólares.
Parabéns ao Ferroviário de Nampula!
Parabéns e Parabéns ao Costa do Sol!
HOYO HOYO BASSA!
Agora Cahora Bassa é mesmo e de facto nossa! Depois de um aturado e sinuoso processo negocial com o governo português que remonta pelo menos de 3 décadas está encerrado e consumado o processo da reversão da Hidroeléctrica de Cahora Bassa para Moçambique. É deveras uma glória nacional e momento áureo sentido por todos moçambicanos sem destinção de raça, sexo, idade, credo religioso, político, etc.
Parabéns a todos os intervenientes directos e indirectos e negociadores que tornaram possível a materialização deste desiderato nacional. Parabéns sobretudo ao povo moçambicano!
Avante que o futuro está nas vossas mãos!
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
RECENSEAMENTO ELEITORAL
Não obstante as atribulações e vicissitudes que foi conhecendo o processo do Recenseamento Eleitoral, algumas das quais já superadas, chega-nos agora a confirmação da sua prorrogação até o mês Março de 2008. Enfim, era absolutamente prevísivel considerando todos os constrangimentos por que atravessou sem relegar o próprio adiamento das eleições provinciais para uma data a anunciar. Uma advertência pontual a fazer a CNE e STAE, é da necessidade de tomarem a peito as queixas de ordem técnica e material que tem vindo a ser levantadas pelas populações em pleno gozo do direito de votarem e serem votadas.
Bem haja esta sensibilidade!
terça-feira, 20 de novembro de 2007
PASSAGEM DE TESTEMUNHO
Há dias visitei na sequência de um trabalho de campo alguns dos tão apregoados e idolatrados Pólos de Desenvolvimento pelos decisores e protagonistas da ordem governativa vigente. Passei nomeadamente por Chicualacuala, Mapai, Mabalane, Chókwè, Macia e Xai-Xai. Foi deveras uma visita de trabalho memorável em que uma vez mais pude manter o contacto directo com a natureza e, sobretudo, com o país real. Como podem calcular os mais videntes e advinhos estou abarrotado de retractos interessantes para convosco partilhar e aos visados será mais uma ocasião para anotarem um T.P.C.; Aliás, deixem-me realçar que os ditos "Pólos de Desenvolvimento" são por excelência autênticos locus físico-naturais e sócio-culturais virgens e férteis para se explorarem e estudarem de forma racional e sustentável. Dai que coloco-vos este desafio.
Nesta breve ladainha auguro arrolar os momentos essencialmente pedagógicos desta aventura ao distrito trazendo algumas lições negativas e positivas do seu status quo numa lógica dialéctica da explanação de ideias.
Devo referir, que a zona norte da Província de Gaza em geral tem a peculiaridade geográfica de fazer fronteira com alguns paises vizinhos são eles a Africa do Sul e o Zimbabwe.
Indo para o âmago da minha proposta de ladainha, permitam-me, por um lado, passar-vos o testemunho do registo de algumas mazelas sócio-humanitárias que marcaram-me negativamente, discriminadamente:
1. A dura e real situação caracterizada pela nudez, fome, seca e a sintomática falta de aguá;
2. A insuficiência de infra-estruturas básicas para a sobrevivência destas populações, falo de unidades sanitárias, escolas desde o nível primário ao secundário e o ensino técnico, infra-estruturas para o comércio, desportivas e recreativas, etc;
3. A subalternização da rapariga e sua baixa escolarização;
4. A imensidão das riquezas naturais e humanas sub-aproveitadas;
5. O isolamento quase que perfeito de toda a zona da província de Gaza do resto do País derivado da falta de meios de comunicações e de transportes;
6. O fornecimento deficiente da corrente eléctrica com recursos a pequenos geradores de energia e painéis solares;
7. O elevado índice de analfabetismo dos jovens, a sua elevada vulnerabilidade ao HIV/SIDA e a outras doenças infecto-contagiosas como a malária, diarreias, cólera, etc;
8. O fraco nível de associativismo particularmente o juvenil;
9. O fraco nível de relacionamento entre os jovens e o Conselho Consultivo Distrital;
10. O fraco acesso dos jovens ao Fundo de Investimento do Distrito;
11. A degradação e precariedade das habitações e de algumas infra-estruturas públicas e privadas;
12. As cicatrizes e sequelas da humilhação física e psicológica decorrentes das guerras sucessivas que nestas se travaram.
Como pudestes aferir a partir deste testemunho por mim apresentado, há ainda muito que desbravar e, nesse sentido, não hajam esforços a medir, cada uma das forças sociais e órgãos governativos que anote a sua parte do TPC e arregace as mangas e vamos com a massa na mão.Há de facto trabalho para todos nos Pólos de Desenvolvimento, todos são chamados os Senhores(as) Paulo, Aires, Fernando, António, Esperança, José, Felício, Helena, Machungo, Cuambe, Simão, Daniel, Hermenegildo, Muhate, Chang, Auiba, Victória, Lucas, Namburete, Matabele, Graça, eu, você, nós e etc.
Por outro lado e, para romper com o tom pessimista com que vinha testemunhando, aceitem comigo partilhar as lições positivas por mim apreendidas na breve convivência com o distrito, designadamente:
1. A forte solidariedade e coesão social que se processa no seio das comunidades;
2. As riquezas naturais e intactas, o ar puro, o verde arbóreo, a flora, o contacto com os animais de todas espécies;
3. O poder impressionante que as crenças, hábitos e costumes mágico-religiosos exercem sobre os membros agregados às comunidades;
4. A riqueza histórico-cultural detidas por estas comunidades;
5. Capacidade e imaginação da mulher de poder forjar estratégias para a sobrevivência das suas famílias;
6. A forma proactiva e empenhada como os jovens se soerguem da pacatez e apatia do distrito contribuindo activamente para o seu desenvolvimento social, cultural e económico;
7. A forma pujante, engajada e determinada como as comunidades estão envolvidas no processo da sua reconstrução social, cultural, política e económica;
8. O seu elevado potencial turístico.
Com efeito, a questão primordial deste mero e descritivo exercício da passagem de testemunho do distrito é podermos visualizar mesmo que virtualmente na senda da abordagem da acção governativa dominante e vigente que aspectos estão sendo bem encaminhados e potenciá-los, bem como, extraírmos os aspectos morribundos e ruidosos e que certamente emperram o desenvolvimento local para melhor aprimorarmos a nossa capacidade de remoção dos mesmos e a subsequente planificação de uma intervenção mais correcta e profícua.
Enfim, encerro a ladainha sugerindo-vos a escolha dos Pólos de Desenvolvimento como ponto de chegada para trabalho, empreendimento, lazer, descanso, reflexão, etc. Creiam que se assim procedermos marcaremos alguns passos gigantescos e consentâneos ao seu progresso sócio-económico.
CRITÉRIOS PARA A FORMULAÇÃO DE UMA QUESTÃO SOCIOLÓGICA
Qualquer desiderato heurístico e investigativo em Ciências Sociais e no caso vertente da Sociologia exige a priori a formulação de uma questão inicial e guia com criteriosidade e rigorosidade. A questão inicial opera como o fio condutor da análise sociológica traçando o devido desdobramento teórico-conceptual e empírico a ser seguido na operacionalização do problema diagnosticado.
A definição e delimitação da questão inicial é extremamente central e decisiva para que o estudo sociológico aspire e amanhe a resultados medotologicamente aceitáveis e funcionais. Através desta, o investigador procura expressar precisamente o que pretende estudar, saber, elucidar, compreender, explicar e etc. O que outorga-me a conjecturar que um trabalho ineficaz nesta fase poderá deter um máximo de probabilidade para comprometer a idoneadade e legitimidade científica da leitura e análise sociológica em causa.
Ora, como superar a iminência desta dificuldade? Esta é uma questão clássica das Ciências Sociais em geral e da Sociologia em particular e que nela sempre esteve imanente na sua luta pela legitimação científica.
O repto primordial desta problemática reside na imperatividade de o investigador ser vigilante a todo instante despindo-se de toda a moldura de ideias pré-concebidas por si imbuída, dado que o pesquisador é em simultâneo o sujeito da constituição do saber e objecto ou matéria da análise sociológica. Este exercício obriga-no a ser peremptoriamente fiel e casto aos procedimentos teórico-metodológicos por ele apregoados, por um lado, e a definir criteriosamente os problemas que o apoquentam na sua leitura e análise sociológica, por outro.
Nesse sentido, para que a formulação de uma questão sociológica logre a sua operacionalidade é necessário que ela observe a alguns parâmetros e critérios, nomeadamente:
1. A Clareza - este é conferido pelo grau de precisão e concisão que a pergunta reunir; Quais são os factrores socioculturais que justificam a alta taxa de prevalência de HIV/SIDA na província de Sofala no ano de 2004? Como se pode depreender a pergunta procurou ao máximo evitar ambiguidades clarificando a natureza das suas variáveis e a sua respectiva delimitação espacio-temporal;
2. A Exequibilidade - radica da condição de a pergunta poder ser realista considerando a sua capacidade de materialização mediante os recursos pessoais, materiais e técnicos disponíveis. Uma boa pergunta seria; Que factores socioculturais concorrem para o elavado índice de linchamentos no Bairro T3 do Munícipio da Matola entre os anos 2006 e 2007? Esta pergunta é exequível na medida em que foi escrupulosamente delimitada sob o prisma da dimensão espacio-temporal, o que a condiciona uma operacionalição sem empecilhos de ordem material e técnica de vulto.
3. A Pertinência - concerne a necessidade de a perguntar ser verdadeira, de ordem explicativa e compreensiva, sem intenções filosóficas e morais e reportar-se ao que existe ou existiu e não ao futuro; Um exemplo ilustrativo da aplicação deste critério seria: Quais as motivações sociais que justificam a maior afluência das raparigas aos bares e barracas na cidade da Matola de 2006 a 2007? A pergunta partiu da constatação de um fenómeno social recorrente que se observa num determinado contexto de tempo e espaço sem avançar absolutamente nenhuma ideia pueril da sua ocorrência, mas pelo contrário, procurando estabelecer mecanismos para melhor estuda-lo e interpretá-lo.
É portanto, do relacionamento meticuloso e permanente entre o investigador e os três precedentes critérios que o sonho de empreender uma leitura e análise sociológica poderá tornar-se factível. Todavia, reparem sempre o detalhe da relevância sociológica da pergunta que não deve nem pestanejando ser descurado. Alguns conotarão esta forma de visualizar os fenómenos como um caminho aberto ao Sociologismo. O que importa discernir e reter nas três perguntas anteriores levantadas na sequência da descontrução dos critérios de formulação de uma questão sociológica é a sua capacidade de se poderem referir às variáveis e agrupamentos sociais com uma significância sociológica.
Em última análise, pelo que ficou dito anteriormente podemos asseverar categoricamente que a formulação de uma questão sociológica assenta no seguinte tripé:
1. A fidelidade aos critérios ou parâmetros da formulação de uma pergunta;
2.A observância e operacionalização dos procedimentos teórico-metodológicos rigorosamente estabelecidos; e
3.A detenção por esta de uma relevância sociológica.
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
MOÇAMBOLA HOI!!!
O Costa do Sol acabou de se sagrar campeão do Moçambola pela nona vez na história do futebol nacional. Parabéns a todos os intervenientes e fazedores directos e indirectos desta epopeia. Foi inquestionavelmente uma vitória meritória deste clube que fez uma excelente campanha futebolística.
Parabéns e bem haja o Costa do Sol!
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
A IRRESPONSABILIDADE SOCIAL TELEVISIVA
Com o advento do fenómeno da Globalização, os empreendedores, empresários e decisores públicos e privados incorporaram na abordagem da cadeia produtiva um novo elemento de crucialdade incomensurável. Passaram a dedicar a sua atenção não só para os principais intervenientes do processo produtivo como também para os próprios consumidores e destinatários do seu produto final.
Apesar de esta constituir uma preocupação clássica e secular constando da lista dos principais factores que causam a insónia aos empresários e decisores da arena comercial e industrial pública e privada desde os primórdios das trocas comerciais, refira-se que a notoriedade desta preocupação pôde tornar-se indiscutível "recentemente" na era do capitalismo moderno.
As organizações e empresas alicerçadas em princípios éticos bem assentes assumiram com escrúpulo e verticalidade o desafio de conduzirem as suas acções de forma cooperativa e co-responsável contribuindo proactivamente para o desenvolvimento social do seu mercado. O que significou a necessidade de englobar e considerar cada vez mais as preocupações e sensibilidades de todos os actores directos e indirectos do processo produtivo. Este desejo traduziu-se ainda numa maior aproximação e entrelaçamento entre as organizações e o seu ambiente externo. As organizações entraram para um mercado concorrencial com a aspiração aguerrida e pujante de providenciar e ocasionar as condições necessárias para que o seu público alvo usufrua dos benefícios e externalidades positivas decorrentes do exercício das suas actividades.
Para ilustrar melhor este cenário, tomemos como exemplo paradigmático a abordagem que as empresas transnacionais colossais fazem relativamente às questões ambientais autoconscientes do grau de perniciosidade que o seu exercício produtivo acarreta para as comunidades residentes nas áreas circunvizinhas das suas fábricas e aqui podemos citar como exemplo disto o caso da MOZAL. Um outro caso que pode ser tomado como protótipo da cultura da responsabilidade social é o do Grupo MBS que para além de ter reabilitado as suas instalações onde funciona actualmente a Kayum Centre arcou com algumas obras de beneficiações do edíficio, melhorou cabalmente o seu sistema de drenagem de água, restaurou o parque de automóveis e o pequeno jardim defronte deste. Todas estas investidas não foram feitas impavidamente sabiam os seus mentores que os seus primeiros potenciais clientes seriam os moradores do prédio e os das suas imediações, ademais, foram mais longe ao criar um jardim para atrair mais clientela.
Neste contexto, qualquer organização passou de forma engenhosa e expedita a não descurar os príncipios e valores que tipificam o modus vivendis do seu público alvo. As organizações produzem, fabricam e vendem conscientes de que a sua prosperidade no mercado é condicionada pela sua capacidade de aliciarem os seus destinatários participando directamente no processo de desenvolvimento social, cultural e económico destes. Enfim, até aqui todas as vestimentas andam bem engomadinhas. É deveras lastimável ter de começar a amarfanha-las, mas, devo de facto. Creiam todos que a intenção da cultura da responsabilidade social apregoada pelos principais estudiosos, decisores e precursores das organizações é inequivocamente boa e sensata, não imaginam quão seria positivo que todas as organizações assumissem o seu papel nesta frente. Mas, quero alerta-vos da ocorrência de mostras flagrantes de uma atitude contrária a esta, ou seja, da cultura da irresponsabilidade social. Por trivial que pareça esta é de uma gravidade de magnitude exponencial. Ela observa-se em muitas das áreas do nosso quotidiano social. Porém, intriga-me a infeliz coincidência de uma das áreas em que se observa ser a da comunicação social concretamente da nossa imprensa televisiva e que para o nosso definitivo infortúnio afecta a todos os canais nacionais. A área da comunicação social televisiva é extremamente sensível e chave na formação da opinião pública. A televisão participa activamente do processo da formação civica e cultural do individuo; Ela condiciona significativamente o processo educacional e a mentalidade dos seus receptores. Quantos não são os hábitos que preterimos porque são negativamente sancionados e reprovados nas telenovelas? Quantas não são as novas maneiras de estar, ser e agir que adoptamos porque são aprovadas e positivamente aceites nas telenovelas? Será que os nossos profissionais e decisores da área da televisão já fizeram o exercício introspectivo de avaliarem o impacto do trabalho que prestam?
Para melhor aferirem e reflectirem sobre estas inquietações, sugiro-vos o protótipo de uma situação aberrante e inadmissível em televisão. Já digo, há dias assistia a um programa televisivo musical que está a fazer um trabalho excepcional na promoção da música moçambicana e de novos talentos o que é de todo desejável. Todavia, pareceu-me que o próprio apresentador não tivesse o dominio do perfil do seu programa sem preterir as questões de índole técnica da apresentação que deviam ser do seu conhecimento, demonstrou não ter consciência de que o seu não é infantil, mas, essencialmente juvenil desmintam me se poderem. Nesse dia, o apresentador juntou algumas crianças para fazer o seu pão do dia e ficamos a perceber que as Bling, Marlene, Danny OG, Lizha, Zico, etc já tem sucessores a espera e em riste.
O aspecto central desta constatação reside no facto de que a partir dela deu para perceber qual é o tipo de valores e princípios que a nossa criançada vai apreendendo e interiorizando e em função disso também pudemos fazer um prognóstico leviano do seu futuro. Não advogo a sua interdição à assistência ou aparição destes e nestes programas, mas, há que se dosear melhor o contacto entre estes programas e a criançada para que não patrocinemos a degenerescência dos nossos petizes. Sei que poderei ser um réu confesso pelo meu tique aparentemente conservador e retrógrada, mas, julguem se quiserem.
Para corroborar as minhas comichões na consciência, apoquentam-me também o facto de observar em pleno dia a serem passadas imagens que de alguma forma são aberrantes e violentas para o desenvolvimento psico-social da criançada. Aliás, já nem é preciso ver as imagens, basta a criança ser uma boa ouvinte para por em prática todas as mensagens transmitidas na maior inocência. Durante as noites a coisa é mais sintomática, embora seja verdade que teremos de apurar e partilhar as responsabilidades entre pais, professores, educadores, etc, não é suficiente para ilibar a irrensponsabilidade e falta de ética de alguns profissionais de televisão.
A televisão abre as mentes das crianças pode proporcionar-lhes em função do tipo de matérias e conteúdos que transmite a predisposição e apetência para se decidirem e encantarem pela formação em medicina, professorado, magistratura, economia, política, policia, música, dança, actriz, prostituição, etc. Reparem que as suas escolhas têm como sustentáculo o tipo de valores por estas incorporados através da televisão. Não quer isto significar que a televisão é um vector suficiente e necessário para educar e formar a criança, mas, que a sua contribuição neste processo é substâncial como que a legitimar o papel da televisão enquanto um agente de socialização do individuo complementar.
Há um exercício que a comunicação social culta e prudente tem feito no alinhamento e definição dos perfis dos programas, por que não resgata-lo? Sei perfeitamente que estão recordados da informação prévia que era dada pelos respectivos apresentadores em caso de pretenderem emitir uma mensagem escandalosa e violenta para não embaraçarem o convívio familiar ou ferirem sensibilidades. Ou ainda, retomar o feitio de sempre que se pretender veicular uma mensagem ou programa orientado exclusivamente para uma determinada faixa etária assinalar na tela o sinal de proibição da assistência para as restantes faixas etárias.
Ao assim proceder a media televisiva com particular incidência para os pelouros da programação e apresentação de entretenimento se dotará de mais acuidade e profissionalismo e, sobretudo, melhorará a sua capacidade de censura de informação e desta maneira poderá rejuvenescernos do tédio que causou a milhares e milhares de cidadãos que de tanto desespero se pautaram exclusivamente pela imprensa escrita.
O pessimismo destes escritos não augura de maneira nenhuma enxovalhar a classe da comunicação social televisiva, pelo contrário, procura ater-se a uma das suas facetas para construtivamente aborda-la tendo em vista a que os profissionais desta área melhorem cada vez mais a sua prestatividade imbuídos da convicção de que a media exerce de facto um papel primoroso e prestimoso na educação civica e cultural do individuo.
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